A chuva cai lá fora, inunda-me o pensamento, desfaz a folha de papel. Nunca chegarei a ler o que escrevi.
O vento roubou-me a memória, o gesto incansável de recordar perdeu-se na eternidade de um simples momento desvanecido em lágrimas.
Os olhos fecham-se ao aparecimento de um raio invisível que divide o céu em sonho/realidade. Nunca chegarei a saber a que lado pertenço.
O corpo reage ao calor gelado que o atravessa que nem descarga energética.
As mãos suam litros de letras disléxicas. Nunca chegarei a conseguir juntá-las.
Ouço um tic-tac que vem do peito. É uma bomba-relógio... É coração...
É a vida aos quadradinhos pretos e brancos de xadrez que vou percorrendo, sempre à espera de falhar o quadrado falso... que me faz cair do País das Maravilhas de volta à realidade, ou ao sonho...
Nunca saberei se aquela jogada seria cheque-mate!!
(té já...)
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