sexta-feira, 6 de abril de 2007

tem sido demasiada coisa ao mesmo tempo....

2 comentários:

Anônimo disse...

É absolutamente inesgotável a saudade que trago como sombra diariamente.Acompanha-me em todos os momentos ,mesmo quando me esqueço que ela existe.É como se fosse-mos amigas.Uma amizade de excesso invisível.
Eu e a minha amiga saudade, respiramos juntas o ar de silencio tormentoso,que nos oferece esta nova terra.Ela enxuga-me as lágrimas sem me tocar e apazigua-me o espírito numa casa que não é a minha.Sopra-me ao ouvido se me agarram ventos maus.Abraça-me se arrefeço,acompanha-me calada,paciente.
A beleza do sitio onde estou agora é compreensível,mas não me preenche.Não bombeia o coração com sons e imagens que se repetem de forma estridente,como tão bem faz a minha Lisboa.Não me arrepia a pele quando acordo.Aqui acordo numa cama que não é a minha.Não me deixa tocar no murmuroso movimento que centenas de pessoas largam como rasto ao passar,quase em forma de coreografia .Aqui não há centenas de pessoas a passar.Muito menos em forma de coreografia.
Aqui o sol não me parece brilhante.De onde eu vim o sol cega-nos.Mancha-nos a pele com um tom que se parece com o da água quando está cheia de espuma e a conseguimos ver a evaporar ao mesmo tempo.O tom branco que nos mancha a pele ,torna bonitos os segredos mais sujos ,que todos conhecemos,e que nos visitam todos os dias na nossa Lisboa.Limpa só o necessário,a nossa superfície.Não nos apaga.Lisboa não apaga quem a pisa ,quem lhe grita,quem a ama,quem a destrói,quem a conhece,quem a visita,quem a ameaça,quem a ouve,quem a cala,quem a cria.
No sitio onde eu estou as pessoas não gritam,não se batem em publico,não morrem de forma trágica,não há pobreza,não há incompetência nem enganos.Não há maldade no seu estado mais puro para que a possamos saborear,sentir,tocar ou beijar...O sol aqui apaga as pessoas.As pessoas aqui não são pessoas.
A imundice do sitio de onde eu vim,alimenta-me,inspira-me,revolta-me,comove-me,muda-me ,segue-me,atrai-me,abraça-me,espera-me,deseja-me,e não morre.E não me deixa morrer.
A minha Lisboa entope-me de cheiros que conheço ,que desconheço,que adoro.Enlouquece-me com monstros e muralhas gigantes que me obriga subir.Que me obriga a vencer.A viver.A esquecer.A guardar.A ceder.
Cala-me com a sua sabedoria intemporal,pinta-me com os tons que conhece,cria-me.Fascina-me com uma beleza crocante ainda a ferver,que me queima a língua se lhe lambo a verdade.Consigo sentir.Balança-me ao ritmo de uma energia mecânica e inconsciente.Arrasta-me com a força que tem nos braços.Nunca me conta tudo.Cansa-se sozinha.Beija-me com a sua tristeza silenciosa sempre que se cala.Afoga-me a mente com pensamentos que não quero evitar.Consome-me a alma com a sua sensualidade de chocolate urbano.Assalta-me a consciência com a sua noite fria,com a sua noite quente,com a sua noite escura,acordada.Perdoa-me se a interrompo.Consigo sentir.Solta palavras de charme quando grita,e tenta-me com a sua doce extinção.Consigo sentir.E que bom que é sentir a suja podridão em que nos conhecemos minha velha e poderosa Lisboa.

Anônimo disse...

É absolutamente inesgotável a saudade que trago como sombra diariamente.Acompanha-me em todos os momentos ,mesmo quando me esqueço que ela existe.É como se fosse-mos amigas.Uma amizade de excesso invisível.
Eu e a minha amiga saudade, respiramos juntas o ar de silencio tormentoso,que nos oferece esta nova terra.Ela enxuga-me as lágrimas sem me tocar e apazigua-me o espírito numa casa que não é a minha.Sopra-me ao ouvido se me agarram ventos maus.Abraça-me se arrefeço,acompanha-me calada,paciente.
A beleza do sitio onde estou agora é compreensível,mas não me preenche.Não bombeia o coração com sons e imagens que se repetem de forma estridente,como tão bem faz a minha Lisboa.Não me arrepia a pele quando acordo.Aqui acordo numa cama que não é a minha.Não me deixa tocar no murmuroso movimento que centenas de pessoas largam como rasto ao passar,quase em forma de coreografia .Aqui não há centenas de pessoas a passar.Muito menos em forma de coreografia.
Aqui o sol não me parece brilhante.De onde eu vim o sol cega-nos.Mancha-nos a pele com um tom que se parece com o da água quando está cheia de espuma e a conseguimos ver a evaporar ao mesmo tempo.O tom branco que nos mancha a pele ,torna bonitos os segredos mais sujos ,que todos conhecemos,e que nos visitam todos os dias na nossa Lisboa.Limpa só o necessário,a nossa superfície.Não nos apaga.Lisboa não apaga quem a pisa ,quem lhe grita,quem a ama,quem a destrói,quem a conhece,quem a visita,quem a ameaça,quem a ouve,quem a cala,quem a cria.
No sitio onde eu estou as pessoas não gritam,não se batem em publico,não morrem de forma trágica,não há pobreza,não há incompetência nem enganos.Não há maldade no seu estado mais puro para que a possamos saborear,sentir,tocar ou beijar...O sol aqui apaga as pessoas.As pessoas aqui não são pessoas.
A imundice do sitio de onde eu vim,alimenta-me,inspira-me,revolta-me,comove-me,muda-me ,segue-me,atrai-me,abraça-me,espera-me,deseja-me,e não morre.E não me deixa morrer.
A minha Lisboa entope-me de cheiros que conheço ,que desconheço,que adoro.Enlouquece-me com monstros e muralhas gigantes que me obriga subir.Que me obriga a vencer.A viver.A esquecer.A guardar.A ceder.
Cala-me com a sua sabedoria intemporal,pinta-me com os tons que conhece,cria-me.Fascina-me com uma beleza crocante ainda a ferver,que me queima a língua se lhe lambo a verdade.Consigo sentir.Balança-me ao ritmo de uma energia mecânica e inconsciente.Arrasta-me com a força que tem nos braços.Nunca me conta tudo.Cansa-se sozinha.Beija-me com a sua tristeza silenciosa sempre que se cala.Afoga-me a mente com pensamentos que não quero evitar.Consome-me a alma com a sua sensualidade de chocolate urbano.Assalta-me a consciência com a sua noite fria,com a sua noite quente,com a sua noite escura,acordada.Perdoa-me se a interrompo.Consigo sentir.Solta palavras de charme quando grita,e tenta-me com a sua doce extinção.Consigo sentir.E que bom que é sentir a suja podridão em que nos conhecemos minha velha e poderosa Lisboa.